Câmara reage contra as declarações do prefeito

Câmara reage contra as declarações do prefeito
A Câmara de Vereadores reagiu ontem de forma enérgica as declarações do prefeito de Macaé registradas durante participação do Chefe do Executivo em programa de uma emissora local. Os parlamentares afirmaram que o discurso de ódio a imprensa e de radicalismo político ferem a liberdade dos poderes. Um dos vereadores chegou a apontar o início de uma crise política na cidade, evidenciada pela influência das eleições.

Registradas na manhã da última segunda-feira (14), as palavras do prefeito ecoaram dentro do Palácio Natálio Salvador Antunes. Momento antes do início da sessão de ontem, o posicionamento do chefe do Executivo contrário ao jornal O DEBATE foi motivo de discussão na antessala da presidência da Casa, onde os vereadores se reúnem no momento preparatório para a reunião.

Logo na abertura dos trabalhos, o vereador Marcel Silvano (PT) cobrou da presidência da Casa um posicionamento oficial do parlamento diante das declarações do prefeito direcionadas à Câmara, que incluíram a defesa pela instalação de Comissões Parlamentares de Investigação (CPIs) e da implantação do ponto biométrico.
"Ontem (segunda), as pessoas ouviram no rádio a entrevista do prefeito que jogou a responsabilidade à Câmara por investigações que precisam ser feitas. O que foi dito coloca a Câmara em posição de imobilidade e desconfortável. Depois, a população vai cobrar de nós respostas que não são dadas por ele. Macaé está a beira de uma crise política", disse Marcel.

Em resposta, o presidente da Câmara, Dr. Eduardo Cardoso (PPS) afirmou que as responsabilidades da Casa serão resolvidas pelo parlamento.

"Quero tirar o mérito do prefeito de cobrar a instalação dessas CPIs. Quem de forma veemente tem solicitado essas Comissões são os vereadores. E cabe a nós decidir sobre esse trabalho", afirmou Dr. Eduardo.
A pedido do líder da bancada de governo na Câmara, Julinho do Aeroporto (PPL), a ordem dos trabalhos da sessão foi invertida. Com isso, a reunião foi iniciada com o momento político, do grande expediente.

Assumidas pelos vereadores do bloco de oposição, as vagas para o discurso em plenário foram utilizadas pelos parlamentares para rebater as acusações feitas pelo prefeito sobre o trabalho realizado por O DEBATE.

"Eu leio as matérias do jornal que trazem fatos registrados no Portal da Transparência. Se o sistema é do governo, como o jornal mente? Quem é que está falando a verdade? Eu não acredito neste prefeito que não cumpriu as promessas que fez a esta cidade", disse Chico Machado (PSB).
"Temos o nosso espaço para cuidar, o prefeito tem o dele", diz Dr. Eduardo
Diante das declarações do prefeitona entrevista considerada por alguns como uma afronta, Dr. Eduardo Cardoso chegou a se inscrever no grande expediente da sessão ordinária de ontem.
No entanto, como o assunto foi colocado em plenário logo no início dos trabalhos, o presidente da Câmara resolveu antecipar a sua análise.

"A Câmara tem o seu momento, diferente do prefeito. Nós temos o nosso espaço para cuidar, o prefeito tem o dele", disse Dr. Eduardo.

As palavras do presidente da Casa foram relativas as "sugestões" feitas pelo prefeito à Câmara, sobre a instalação da CPI do Transporte, da Saúde e das Desapropriações, assim como a implantação do ponto biométrico.
"Peço a ele (prefeito) para deixar o espaço da Casa para ela resolver. Ele já tem muito trabalho para cuidar lá (na prefeitura), e ainda querer administrar a Câmara", disse o presidente.

Dr. Eduardo garantiu ainda que fará reuniões com os vereadores para definir quais CPIs serão definitivamente instaladas.
"A Casa possui hoje seis pedidos de CPI. Precisamos saber quais são prioridades para organizar esse trabalho. A do Transporte é cobrada pelo vereador Marcel e ela vai ter prioridade", disse.
Maxwell Vaz aponta o "desespero" em posição política do governo
Primeiro inscrito no grande expediente da sessão de ontem, o vereador Maxwell Vaz (SDD) considerou as declarações do prefeito como ato de desespero do governo diante do apontamento de questões que expõe o que ele considera como uma "incompetência e desarticulação política".

"É preciso reconhecer o grande papel que o jornal O DEBATE vem fazendo em prol da cidade, de forma competente e séria. Tem denunciado focos do Aedes, enquanto a prefeitura distribui papel. O jornal expõe fragilidades de um governo que entrou em desespero e passa a assumir um discurso de ódio contra a empresa genuinamente macaense e contra esta Casa", analisou Maxwell.

O vereador rebateu também o discurso do governo ao afirmar que o jornal passou a mentir sobre a crise orçamentária gerada pela recessão do mercado do petróleo.

"Vemos um acréscimo da arrecadação do ISS e do ICMS. Vemos que há excesso de arrecadação que foi colocado em um Fundo de Direitos Difusos. Quase R$ 5 milhões destinados a um programa de trabalho que vamos investigar", afirmou.
Maxwell apontou ainda que a administração municipal não quer encarar a realidade das ruas.
Igor diz: "o prefeito quer  assumir papel de juiz e passa a fazer condenações"
Em seu discurso no grande expediente, o líder do bloco de oposição na Câmara, Igor Sardinha (PRB) afirmou que, mais uma vez, o governo utilizou-se de uma "cortina de fumaça" para "tapar os olhos da sociedade".

"O prefeito acusou o jornal O DEBATE de fazer pré-julgamentos do seu governo. Mas quem utiliza desse artifício é ele que quer assumir o papel de juiz e condenar todos que são contra o seu projeto de poder", disparou Igor.
O parlamentar manteve o seu discurso na análise das declarações do chefe do Executivo, transmitidas por uma emissora local.

"O que está sendo dito pelo jornal são informações do próprio TCE (Tribunal de Contas do Estado), que apontou um edital da prefeitura valores cinco vezes maiores que os gastos calculados pelo próprio órgão. Não há juízo de valor nas matérias. Quem está fazendo isso é o prefeito diante de uma demonstração clara de ataque a imprensa que passa a expor uma gestão em colapso", apontou Igor.

O parlamentar apontou ainda que "falta estrutura" ao governo para encarar questionamentos.
"Você pode até não concordar com o jornal, só não pode acusar. E ele não desrespeita só o jornal, mas a esta Casa também. Nós temos centenas de requerimentos que nunca foram respondidos por este governo ruim", disse Igor.
Chico fala em crise ao declarar que governo está com "dias contados"
"Porque tanto desespero?" O questionamento abriu o discurso do vereador Chico Machado (PSB), em seu momento no grande expediente. 
Ele também comentou as declarações do prefeito e afirmou que a postura assumida pelo governo, perante a Câmara e a imprensa da cidade, é ditatorial.

"Vejo um desespero de um governo que está com seus dias contados. Desespero de quem mente e não quer encarar a população. Ele parte para atacar a imprensa que não faz parte do seu hall de poder. Ele quer calar a imprensa que faz suas matérias com base no Portal da Transparência. Só não pode falar que o TCE encontrou R$ 10 milhões a mais em um edital", analisou Chico.

O vereador continuou o seu discurso pautado nos dados relativos a arrecadação da cidade.
"Há sim excesso de arrecadação de receitas próprias. A crise atingiu os royalties que é utilizado para pagar as empresas que ele quer agradar", disse Chico.

O parlamentar fez uma relação também com a postura assumida pelo governo e o início do calendário pré-eleitoral de 2016.

"O prefeito tenta colocar essa Casa em uma situação difícil, mas ele não reconhece a contribuição que a bancada da situação faz a sua gestão. A mansidão na voz só serve para falar mentiras. A veemência do nosso discurso é pautado na verdade", disse.

 

Autor: Márcio Siqueira marcio@odebateon.com.br

Foto: kaná Manhães



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