Oposição critica inércia do governo diante de pautas de interesse da indústria

Oposição critica inércia do governo diante de pautas de interesse da indústria
A oposição voltou a cobrar ontem uma reação política do governo com objetivo de evitar o processo de desmobilização da cadeia offshore, diante do surgimento de um novo ciclo das operações do petróleo. O assunto dominou os principais discursos registrados na sessão desta quarta-feira (23) da Câmara de Vereadores.

O 'desinteresse' do governo foi o principal ponto do discurso do vereador Maxwell Vaz (SDD) ao defender o requerimento 113/2016, de sua autoria, aprovado ontem por unanimidade.
Através da proposição, o parlamentar membro do bloco de oposição ao governo na Câmara, solicitou à presidência da Petrobras a cópia dos contratos firmados pela estatal com empresas de logística que atuam no Porto do Açu, em São João da Barra. 

Com as informações, Maxwell quer aprofundar as análises relativas ao novo cenário da indústria offshore na região, tema debatido durante Audiência Pública presidida por ele na semana passada, reunindo representantes do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) e da Associação Brasileira de Empresas de Serviços do Petróleo (Abespetro).

"Faço mais um alerta ao poder Executivo, sobre o processo de desmobilização das operações da Petrobras no Porto de Imbetiba. O governo se mostra desinteressado e ausente nos debates sobre a indústria do petróleo. E nós aqui no Legislativo nos articulamos com dificuldade, na defesa do Tepor (Terminal Logística de Macaé), um projeto da iniciativa privada que visa trazer sustentabilidade econômica para o nosso município", discursou Maxwell.

A posição de crítica foi dividida também por Igor Sardinha (PRB). Líder do bloco de oposição ao governo, o vereador afirmou que o governo não possui articulação política para ajudar Macaé a vencer os efeitos da crise.
"Nós nos articulamos e buscamos essas informações. Mas e o governo? O que fez até hoje em defesa do porto ou de qualquer outra pauta da indústria? Isso é ruim para Macaé", disse Igor.

Líder da bancada do PMDB na Câmara, Paulo Antunes defendeu a administração municipal.
"A prefeitura não tem ingerência sobre o Inea (Instituto Estadual do Ambiente). São eles que não liberam a licença do porto. E o governo já se posicionou, diversas vezes, a favor do novo porto", relatou.
Mas o argumento da situação não convenceu a oposição.

"Representamos a cidade mais importante para as operações do petróleo no país. Temos reconhecimento e respeito em todas as esferas governamentais, quem não tem é o prefeito. Todas as pautas da indústria estão estagnadas, e se não fosse o vereador Maxwell esse debate já estaria vencido", considerou Chico Machado (PDT).
Líder da bancada do governo, Julinho do Aeroporto (PPL), levou o debate para a questão ambiental.

"Existe a normativa 12 do Ministério da Pesca que não permite a pesca de amalhe naquela região. Se essa atividade artesanal não pode, imagina então um porto? Há ainda a proteção das toninhas. Então, não é o prefeito que não quer o porto", disse Julinho.

Ao justificar seu voto pelo projeto, Maxwell fez a réplica diante da posição da bancada do governo.
"A normativa do Ministério da pesca é relativa apenas à atividade pesqueira. Além disso, na regulamentação do próprio ICMBio há um hiato sobre a incidência de toninhas nessa região. A verdade é que sofremos um ataque geopolítico ao longo desses anos que, no futuro, vai custar muito caro à nossa cidade", apontou.

 

Autor: Márcio Siqueira marcio@odebateon.com.br

Foto: Wanderley Gil



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